Crítica Séries (TV Shows)

Desventuras Em Série – Crítica

Três crianças, um psicopata e muito suspense… O que poderia ser melhor? Desventuras Em Série é fiel ao clima e ao enredo dos livros e cria sua própria identidade em meio a tantas outras produções da Netflix.

História

A nova série da Netflix usou muitos elementos teatrais durante os episódios, os quais podem ser notados principalmente no jeito que a história é contada. De certo modo, isso é muito bom pois distinguiu Desventuras Em Série de outras adaptações feitas pela provedora, mantendo a peculiaridade dos livros e dando identidade à produção.

Entretanto, a redundância proposital de falas passava, muitas vezes, do engraçado para o entediante. Como a história de cada livro foi divida em dois episódios, os roteiristas tiveram tempo para escrever a série perfeita aos fãs da saga literária, mas ao fazerem isso com tanta fidelidade,  deixaram alguns episódios cansativos de serem assistidos. No meu ver, algumas características dos livros NÃO deveriam ter sido implementadas na série e sim modificadas para essa nova plataforma.

Compensando o exagerado pleonasmo de diálogos, os mistérios funcionaram muito bem. A forma que eles eram apresentados ao público era acessível, prática e muito eficaz, pois convocava os espectadores a entrarem no universo de Desventuras Em Série. Outro fator que fez-se essencial para diminuir o cansaço dos longos episódios, foi o uso da ironia dramática (termo auto explicado pela série) a qual instigava quem estava assistindo a dar play nos episódio seguintes.

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O símbolo indicado pela seta é protagonista de um dos maiores enigmas da série

Uma observação interessante é que os ganchos (aqueles suspenses deixados para obrigar o espectador a continuar assistindo) não são exclusivos aos finais dos episódios e sim são construídos durante os mesmos.

Lemony Snicket, o narrador

Durante a série, temos a mística figura de um homem que narra os acontecimentos e explica os significados de algumas palavras e analogias, entretanto não interfere na história. Essa figura é ninguém mais ninguém menos do que o autor da obra, Lemony Snicket.

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Admito que minha opinião está bem dividida sobre a participação de Lemony (interpretado por Patrick Warburton, de Ted 2). Por um lado, sua figura é importante para o decorrer da história, contudo penso que, sem sua presença, a série teria um ritmo mais acelerado impedindo momentos massantes.

De qualquer modo, foi ousado da parte da Netflix transpor esse elemento para sua série e é legal ver que, apesar de suas métricas, a empresa busca sempre estar criando coias novas com originalidade.

Órfãos

Os protagonistas da série são Violet, Klaus, e Sunny, três órfãos que perderam seus pais em um terrível e misterioso incêndio. Violet (interpretada pela atriz Malina Weissman, de Supergirl) é a mais velha dos três irmãos e tem uma incrível habilidade com o manuseio de ferramentas; Klaus (interpretado pelo ator Louis Hynes, de A Rebelião Dos Bárbaros) é o irmão do meio e tem um gosto espetacular por livros e gramática; Sunny (vivida por Presley Smith) é uma bebê que adora mastigar coisas bem sólidas.

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Klaus. Violet e Sunny

Os órfãos são exatamente o que eles precisavam ser, cada um oferecendo seus dons nas mais diversas desventuras para ajudá-los a si próprios a escapar do Conde Olaf. Tenho que dizer que, para mim, eles não são tão carismáticos quanto outras crianças que atuam em séries na Netflix, e acho que seria bem legal se, na próxima temporada (cuja produção já foi confirmada) a série explorasse melhor isso.

De qualquer modo, a história dos órfãos é muito cativante e é empolgante acompanhá-los durante os episódios e ver como eles precisam se adequar a nova vida e – além disso – se adequar aos comportamentos dos adultos que, muitas vezes, são mais infantis que eles.

Neil Patrick Harris, o Conde Olaf

Tendo a maior porcentagem do marketing da série focada nele, Neil (o Barney de How I Met Your Mother) tinha uma grande responsabilidade com a série e, após conferir os oito episódios de Desventuras em Série, percebe-se que o maléfico Conde Olaf não poderia ter tido um melhor intérprete.

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Neil concedeu todo o carisma necessário para o Conde Olaf e seus diversos disfarces, dando a Stephano, Capitão Sham e Shirley características singulares e memoráveis. Foi engraçado ver também como ele se sentia confortável com as crianças, circunstância a qual para mim foi essencial para que o público se apaixonasse não apenas por Neil, um ator já consagrado, mas também abraçasse os atores mirins.

Como dito pelo intérprete do Conde Olaf em várias entrevistas, a oportunidade de ser mal com crianças (algo considerado eticamente errado) é, para ele, algo divertido e penso que isso fica bem claro enquanto assistimos a série.

Musicalidade/Abertura

Desde o primeiro episódio à última cena, a música esteve presente em Desventuras Em Série. Trazida junta com os vários outros elementos teatrais presentes na série, a musicalidade é importante para expressar, com mais pureza, certas emoções envolvendo os protagonistas, o antagonista e os coadjuvantes. Para melhorar, as músicas são cantadas pelo Neil Patrick Harris.

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Neil falando sobre a musicalidade na série em uma entrevista com o brasileiro Hugo Gloss

Agora, vamos falar das aberturas? Que show que a Netflix deu personalizando as aberturas para cada um dos oito episódio!

Cada abertura dá uma sinopse personalizada do episódio que está começando, situando o espectador sobre o que já aconteceu e dando pequenos fragmentos do que vai acontecer. Achei essa ideia simplesmente fenomenal, afinal os episódios têm durações variadas e isso ajuda quem está meio esquecido dos acontecimentos.

Fotografia

Outro ponto alto da série é sua bela fotografia. O modo que ela é filmada transmitiu a sensação de que eu estava assistindo a gravação de uma peça teatral; além disso, a série adota um esquema de cenas simétricas bem… interessante.

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Notei também o cuidado da parte da direção para manter contrastes entre os figurinos dos personagens com o cenário, no qual pode ser sentido facilmente o clima de melancolia e azar na escolha das cores, as quais, na maioria das vezes, são frias.

Antes de concluir essa trabalhosa crítica, tenho que dizer que os efeitos especiais e práticos me desapontaram em algumas ocasiões. Em vários episódios, os efeitos especiais se mostraram ótimos (como é o caso da casa que cai do penhasco), mas em alguns momentos aonde não teria tanta necessidade de usar tal método, percebi que os mesmos transpareciam demasiadamente a sensação de irrealidade.  Um efeito prático horrível que eu notei foi o uso de uma boneca no lugar da Sunny no episódio seis, CLARO que é trabalhoso filmar com um bebê, mas houve um descuido muito grande da parte do diretor em deixar transparecer o uso do brinquedo ao espectador.

Por fim, recomendo a todos assistirem Desventuras Em Série pois é, sem dúvida, a produção baseada em uma saga literária mais fiel que existe. Com personagens caricatos, o público se envolve tanto com os protagonistas quanto com o icônico vilão e acaba conhecendo e amando esse universo misterioso repleto de eventos lamentáveis.

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