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13 Reasons Why – A série que todas as gerações deveriam assistir

Depois de Stranger Things, nenhuma outra série da Netlix tinha tido uma repercussão tão grande no dia de sua estréia… até 13 Reasons Why ficar disponível, na última sexta-feira. NÃO, isso não vai ser uma crítica da série, pois preferi trazer uma reflexão sobre tudo o que ela trata, e talvez, futuramente, eu suba uma review sobre a mesma.

Mas antes, um breve resumo sobre a série: Hannah Barker (Katherine Langford) comete suicídio e deixa os motivos que levaram ela a fazer isso gravados em fitas cassetes. Na história, a qual é contada pelo ponto de vista de Clay Jensen (Dylan Minnette), vamos percebendo que a decisão da garota se deve a um conjunto de eventos, que são protagonizados por diferentes pessoas.

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Muitas séries, principalmente da Netflix, trabalham temas de combate a homofobia, xenofobia, racismo e machismo; inexplicavelmente, são poucas as que focam em outros problemas sociais, os quais as vezes passam despercebidos mas que não são menos importantes. No caso de 13 Reasons Why, o Brian Yorkey (produtor e showrunner da série) trouxe de forma descarada questões como bullying e depressão e atacou o comportamento da sociedade perante a esses problemas sem se preocupar com um feedback negativo. E é exatamente devido a essa firmeza que a série fez tanto sucesso e precisa ser assistida pelo mundo.

“Ah, essa série é para adolescente”

Não, ela não é. A série tem personagens adolescentes sim, mas as abordagens que ela traz são atemporais. Como os próprios atores confirmaram em entrevistas, várias estratégias foram usadas para deixar qualquer pessoa confortável ao assistir 13 Reasons Why (como a diversificada trilha sonora que é composta por músicas de diferentes épocas e até mesmo a existência de fitas cassetes). Ao assistir os episódios, notei que a série não tratava com desigualdade seu público, e sim, o tratava como humanos.

Cyberbullying e bullying

A série começa falando sobre dois espectros da sociedade, os quais todos ignoram mas todos os conhecem: o bullying e o cyberbullying. Em várias produções já feitas, há sempre aquele “medinho” da desenvolvedora tratar o bullying com total veracidade, sendo que é algo que – indiferente de orientação sexual, sexo ou raça – acontece com todo mundo.

Nessa série, os espectadores conseguem se identificar, de maneiras diferenciadas, com esse vírus da sociedade atual. Todo mundo sofre com o bullying, pois os proliferadores dessa doença encontram qualquer coisa para poder implicar com a vida de alguém, abaixando por total sua autoestima. Não importa se é seu gosto musical, seu estilo de vida, a maneira com que se veste, sempre vai haver algo em você que não vai estar bom o suficiente para outras pessoas e estas, automaticamente e infelizmente, vão te atacar por suas características.

Foi bacana ver como a série também mostra que o autor do bullying, pode ser alguém de sua confiança ou intimidade… E é ai que podemos falar do cyberbullying. O mundo está conectado como jamais esteve em toda a sua história, porém essa conexão é acompanhada pelo anonimato. Uma foto, ao ser tirada em um ângulo incomum ou por alguém maldoso, pode destruir uma vida; nos dias atuais, “intimidade” se tornou uma palavra com múltiplas interpretações, cujos significados são relativos entre os indivíduos, dando uma enorme brecha ao cyberbullying.

A ligação online entre os internautas é instantânea; eu posto algo aqui e em questão de segundos um número estrondoso de pessoas tem acesso a essa postagem. Essa brevidade é favorável para que inúmeras fotos íntimas acabam vazando pela web (cujo os cidadãos fotografados podem ser menores de idade). Como vimos em 13 Reasons Why, esse êxtase em divulgar algo pode arruinar permanentemente uma vida. Eu sei que muitas vezes quando postamos algo nas redes sociais, temos em mente uma quantia limitada de pessoas que terão acesso a nossa postagem, contudo, isso é uma mentira. Eu percebi quão vulnerável é um perfil na internet quando o blog recebeu visitas de pessoas que moram em países que eu nem conhecia.

A Dra. Rona Hu, da Universidade de Stanford, explicou em um vídeo de bastidores de 13 Reasons Why que é dever dos adultos investigar minuciosamente o que um jovem pode estar sofrendo pela internet, pois, como não havia essa extensão do bullying (cyberbullying) na época deles, os mesmos podem achar dificuldade de compreender tais problemas e até mesmo, banalizá-los.

Assédio Sexual e Estupro

Outros dois problemas pautados na série são: assédio sexual e estupro. A melhor coisa, ao falar sobre isso, foi que a série não mostrou apenas o ponto de vista da vítima ou do agressor, e sim de todos os envolvidos em um contexto geral, assimilando-se com a realidade.

O assédio sexual é diferente do estupro, mas não menos aceitável. Diariamente, em todo o mundo, milhares de pessoas são assediadas e, além de sofrer com isso, elas precisam enfrentar um rígido julgamento feito pela sociedade. No Brasil, isso vem sido tema de inúmeros debates, mas, infelizmente, algumas figuras públicas (principalmente políticas) acabam compartilhando do mesmo pensamento pequeno e arcaico fazendo com que se torne cada vez mais difícil destruir esse paradigmas.

Em 13 Reasons Why, vemos como todas as dúvidas e inseguranças de um adolescente podem duplicar a dor e a vergonha de um assédio, fazendo com que ele aja sem pensar (podendo cometer coisas como suicídio). Além disso, o programa procura expor como o constrangimento de ter sido assediado sexualmente é superior no caso das mulheres, pois, na maioria das vezes, elas encontram maior dificuldade em receber ajuda da comunidade em que vivem.

No vídeo de bastidores 13 Reasons Why: Tentando Entender os Porquês, que está disponível na Netflix, a equipe técnica, o elenco e alguns psicólogos falam muito sobre a questão do estupro, uma das grandes bestialidades do mundo. Essa violação sexual traz consigo muita vergonha (a qual não é culpa da vítima) e. além disso, o medo de pedir ajuda e de nomear isso como estupro (como acontece com a protagonista, na série).

Toda essa situação cria um ambiente que não é favorável para que uma vítima se sinta segura em compartilhar suas traumáticas experiências, buscando por ajuda. Como o próprio showrunner da série comenta, é necessário que haja alguém muito habilidoso para conseguir fazer com que as vítimas do estupro se abram.

Agora, vamos olhar por um outro ponto de vista: o do observador. Normalmente, você pensaria: “se alguém ficou assistindo uma cena de estupro e não fez nada, é tão culpada quanto o estuprador”; felizmente, o mundo não é apenas bilateral. Alexis Jones, um ativista que esteve presente na produção da série, comenta como é fácil para qualquer um se colocar no lugar de alguém que iria interferir no crime, mas que tal ato requer uma grande bravura, a qual, ao colocarmos ela na prática, se torna muito difícil de alcançar. Ela também comenta que, em muitos casos, as pessoas ficam paralisadas devido ao choque da cena, pois nas escolas elas não aprendem o verdadeiro peso daquilo.

OBSERVAÇÃO: Óbvio que existe pessoas que presenciam uma cena de estupro e não fazem nada de propósito, as quais, em muitos os casos, participam diretamente do ato. Nesses casos SIM o cúmplice é tão culpado quanto o “predador” (nome dado pelos psicólogos aos estupradores.

Cumplicidade entre amigos tem limite. Em festas de jovens, adultos e adolescentes, várias pessoas procuram alguém para poder “passar a noite”. Contudo, o que é do seu amigo, não é seu e isso precisa SEMPRE ficar claro na cabeça de qualquer um. Como o próprio Brandon Flynn (que interpreta o Justin) disse, os pais devem ensinar para seus filhos a respeitarem a opinião do próximo, e para isso, podem começar dizendo: “ela precisa dizer sim antes”.

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Lembrando que, a maioria dos estupradores são pessoas popularmente de “bom caráter”. Um atleta da cidade, uma figura política, um colega popular, um amigo próximo, qualquer um pode ser um estuprador.

Depressão e Suicídio

Depressão é sempre vista como uma frescura pela sociedade, mas isso NÃO é uma frescura, é uma DOENÇA. Segundo os dados de 2015 da Organização Mundial da Saúde, a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo; em 2014, foi divulgado que, em 16 anos, as mortes por depressão no Brasil haviam aumentado 705%.

Na série, vimos que a Hannah começa mostrar os sintomas da doença logo nos episódios iniciais e – ao longo do seriado – vimos como isso abala a vida dela e suas relações sociais. Não é difícil identificar uma pessoa depressiva, mas é muito complicado conseguir entender e ajudá-la. O choque e a humilhação de algo que possa ter acontecido com ela é o suficiente para fazer com que a mesma rejeite ajuda e encontre obstáculos para achar algo positivo na sua vida (mesmo quando há algo).

Um dos vários desfechos para a vida de alguém com depressão, é o suicídio. NÃO, não estou falando que alguém depressivo deve se matar, NUNCA. Mas, infelizmente, para os sofredores dessa síndrome, o suicídio é o único jeito de acabar com o sofrimento. 13 Reasons Why combate ferozmente a ideia de que você deve retirar sua própria vida.

Como a série fala diretamente sobre isso, os fãs da mesma criaram uma campanha nas redes sociais: #NãoSejaUmPorque. Tal manifestação procura conscientizar as pessoas para ajudar a prevenir o suicídio – o qual ocorre 1 a cada 40 segundos. MUITA gente mostrou apoio a campanha e isso, para mim, é a melhor coisa da comunidade nerd.

Ver como uma série pode afetar a sociedade de forma tão forte é incrível. A piadinha, que para você não tem efeito nenhum, pode ser o motivo do seu colega chorar todas as noites escondido; o anonimato nas redes sociais não lhe faz invencível e não deve ser usado para propagar o ódio; cada um tem direito de fazer o que quiser apenas com o seu próprio corpo; violar alguém sexualmente é crime, mas ser gentil e conquistar a permissão dessa pessoa é integridade; depressão não é uma frescura; e por último, suicídio pode ser evitado, e quem não busca ajudar pessoas que pensam em se matar, são culpados por essa morte.

#NãoSejaUmPorque

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