Crítica Séries (TV Shows)

Cara Gente Branca (Netflix) – Crítica

Dear White People se enrosca em seu roteiro, mas era o tapa na cara da sociedade que estava faltando

Nota da Crítica

★★★★★

Não alcançando seu máximo potencial, Cara Gente Branca passa sua mensagem contra o racismo mas esquece de construir uma história e explorá-la, tornado dez pequenos episódios em um loop redundante e sem graça.

Leia mais: O que esperar de Cara Gente Branca, a nova série da Netflix.

História

A parte mais decepcionante é, sem dúvida alguma, a história da série. Sem ritmo nenhum, o espectador não consegue se envolver com a trama ou com os personagens. É irônico como, ao mesmo tempo que a série revoluciona ao desconstruir ideias sobre uma América pós-escravidão, ela se enrosca seriamente em clichês sobre o caráter dos alunos.

Em dez episódios, de 30 minutos cada, Cara Gente Branca poderia ter minimizado a história em específicos pontos invés de ter abrangido-a para questões fúteis (como o triângulo amoroso de Sam). Não, eu não acho que a série deveria se basear só em apontar o dedo contra as pessoas brancas (até porque ela não faz somente isso), mas penso que – se você deseja estruturar alguns laços entre os personagens – ficar se repetindo e dar saídas bobas com diálogos banais, não é o caminho.

Mas sim, há determinadas coisas na história que são bem legais. Primeiramente, o modo no qual ela é contada (cada episódio, o ponto de vista de um personagem) funcionou muito bem para o rápido desenvolvimento da trama permitindo o uso de diferentes linguagens. Alias, quando mostrada por esses diferentes ângulos, a história consegue reproduzir sentimentos único dos personagens de maneira autêntica.

Outra coisa bem interessante foi como os roteiristas usaram pequenos detalhes mundanos e transformaram eles em símbolos culturais de empoderamento (principalmente com a personagem Coco, interpretada pela Antoinette Robertson). Indo contra esses símbolos, a série também mostrou esteriótipos negativos da sociedade negra e como, por mais que ela sofra grande preconceito, ela não é perfeita.

Além do mais, acho a capacidade de Cara Gente Branca retratar os erros de ambas as etnias é algo crucial para o bom entendimento de modo amplo do problema. Não há rivalidade apenas entre brancos e negros, há rivalidades entre pessoas – não importando a cor.

 Finalizando, a história serviu de forma objetiva para explicar e apontar como funciona o racismo nos Estados Unidos, mas a série esqueceu de adicionar a pitada de humor necessária para que houvesse engajamento dos expectadores na trama.

Temas abordados

Eu gostei muito dos temas abordados pois eles não se resumiram apenas no racismo. Indo para campos como a homofobia e tratando de assuntos como o uso de drogas, Cara Gente Branca entende que as emoções de um jovem são interligadas que não há como existir situações singulares em uma universidade, pois a variedade de pessoas vivendo lá é muito grande.

Sem mencionar que, como a própria Logan Browning (intérprete da Sam) disse em uma entrevista, a série tem a façanha de fazer com que o expectador comece a questionar suas virtudes enquanto confere este novo seriado.

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Comédia

Eu estava dando uma lida em algumas resenhas que enalteciam a comédia da série, mas sinceramente houve pouquíssimos momentos aonde houve de fato uma piada engraçada. Sim, eu entendi o humor da série, apenas esperava muito mais dela, afinal tal seriado tinha a liberdade de escrachar muitos conceitos que, ao serem misturados com uma comédia de time certo, ficariam INCRÍVEIS. Entretanto, o resultado final foi bem desapontador.

Por que ninguém está falando dessa série?

Enquanto escrevia a crítica, me toquei que alguns sites levantaram a seguinte pergunta: cadê o povo falando de Dear White People?

É, eu também não sei. Ao contrário de 13 Reasons Why e Girlboss, a repercussão da série se manteve apenas em seu anúncio (quando americanos cancelaram suas contas porque se sentiram ofendidos pela proposta do show). E isso é muito ruim, porque a série – em inúmeros momentos – aponta erros da sociedade que estão sempre sendo encobertos ou fantasiados. Precisamos falar SIM de Cara Gente Branca, porque, por mais que a série não é uma obra-prima em quesitos técnicos, a mensagem passada por ela é de extrema importância.

Três estrelas

Com várias falhas, a série se banca em sua proposta e tema. Podendo alcançar um público maior ainda, vejo muito potencial em Cara Gente Branca devido a toda a devoção que é exercida sobre ela pelo seu criados e pelos atores que trabalham no show. Temperando com mais comédia; cozinhada em uma história mais densa e preparada com mais ousadia, a série pode se tornar uma marco revolucionário na Netflix.

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