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Sense8 (2ª Temporada) – Crítica

A segunda temporada de Sense8 é referência em qualidade técnica e dá lição de representatividade

 

Nota da crítica

★★★★

Expandindo sua mitologia e explorando profundamente cada personagem, Sense8 arriscou-se ainda mais nesse segundo ano focando em trazer temáticas modernas e importantes, adicionadas a quantia ideal de ficção científica. Além de se conectar melhor com o público ao redor do mundo, a série melhorou o compasso dos seus episódios, se tornando mais dinâmica e confortável para ser assistida.

História

No primeiro ano da série, Lilly e Lana Wachowski (produtoras da série) mantiveram o roteiro retilíneo focado em estabelecer e explicar o que era os sensates; quais os riscos que eles corriam e como funcionava suas vidas. Já em seu segundo ano, Sense8 expandiu seus horizontes de forma responsável, deixando de ser uma série apenas sobre como oito indivíduos diferentes veem o mundo e sim sobre como o mundo vê eles.

A melhor coisa nessa segunda temporada foi como a relação entre os personagens evoluiu (falarei sobre isso adianta). Acompanhando tal acensão, a história representou de maneria mais confiante as lutas contra preconceitos e intolerâncias, que são tão vistas atualmente mas que, infelizmente, são frequentemente mostradas repletas de estereótipos e clichês. Essa firme retratação foi de extrema importância para que o público se envolvesse mais profundamente com a história dos personagens e todo o contexto mundial que elas representam.

Sense8: Série tem um dos melhores episódios de Natal já feitos! Confira a crítica.

Outro ponto alto no jeito que a história foi contada nessa temporada é o fato de cada episódio ser redondo e, por mais que são deixadas algumas pontas para o próximo capítulo (técnica comum em séries), Sense8 não obriga o espectador a assistir vários episódios para conferir o desfecho de um conflito simples e pontual.

O combate dos sensates contra o OPB (Organização de Prevenção Biológica) também foi melhor explorado nessa temporada, o que realmente funcionou para adicionar o gênero de ação à série. Deixando de serem as caças e se tornando os caçadores, os sensates agora precisam usar tudo o que sabem para ir atrás do Sr. Sussurros (interpretado pelo ator Terrence Mann), o qual, pela primeira vez desde o início da série, se mostra vulnerável ao grupo dos sensates.

Além de tudo isso, um dos melhores concertos feitos na história é a forma em que ela está mais leve, demonstrando agilidade. Quando eu maratonei a série, o tempo passou depressa pois os episódios pareciam curtíssimos (sendo que cada um tem, aproximadamente, uma hora de duração). Contudo, tal rapidez apresentou alguns pequenos erros, como vários cortes brutos de uma cena para a outra que deixavam um vácuo desconfortável.

Mas no geral, nesse novo ano, Sense8 conseguiu construir uma história muito mais elaborada e bem menos cansativa. Cheia de mistérios, conclusões e surpresas, estava muito mais prazeroso acompanhar os sensitivos nesses onze episódios.

Personagens

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É muito difícil você gostar de uma série, sem se importar com seus personagens. No caso de Sense8, Lana Wachowski tem a árdua tarefa de trabalhar com oito protagonistas diferentes garantindo com que nenhum deles seja inibido, e foi nessa temporada aonde a diretora e os roteiristas provaram que sabem construir relações.

Sensitivos

Começando por eles, a forma em que suas conexões foram usadas nessa nova temporada dinamizou completamente a história e desprendeu a série da realidade, deixando-a muita mais livre para se arriscar. O mais interessante foi que Sense8 guardou todos os segredos da relação dos protagonistas apenas para o lançamento completo da temporada, afinal, no episódio de natal, podemos ver grandes diferenças em comparação com o rumo que cada personagem levou ao longo da season.

Eu estava preocupado com o Will (interpretado pelo ator Brian Smith) e a Riley (interpretada pela Tuppence Middleton), pois eu não queria que eles fossem sinônimo de sofrência em uma série repleta de energia positiva. Felizmente, o rumo que esses personagens tomaram foi incrível e eles conseguiram manter minha atenção em cada uma de suas cenas, o que não ocorria frequentemente na primeira temporada.

Outra grande preocupação era sobre a substituição do ator que interpreta o Capheus, mas o Toby Onwumere destruiu qualquer dúvida que eu tinha e apagou as lembranças do antigo intérprete do personagem. Gostei também como eles elevaram este sensitivo para um patamar muito mais interessante e coerente com a atualidade. Além dele, quem evoluiu muito (mas MUITO mesmo), foi a Sun (interpretada pela atriz Doona Bae)! Eu não acho que tal evolução aconteceu por causa das cenas de combates bonitas, ou devido a sua fuga da prisão, mas sim porque assumiu uma postura de líder, que se encaixou muito bem na coreana.

Não muito longe da Coreia, a Kala (interpretada pela atriz Tina Desai) fez história na Índia. A personagem representa dois grandes lados do feminismo e, nesse novo ano, ela retratou também algo comum em todo mundo: o amadurecimento e crescimento pessoal. Já que estamos falando da indiana, temos o Wolfgang (interpretado pelo ator Max Riemelt) que não teve uma grande evolução pessoal nessa temporada, mas também não decaiu. Achei bacana como usaram o mesmo para apresentar aquele novo grupo de sensates, principalmente sua ligação com a Lila (interpretada pela italiana Valeria Bilello).

A hacker mais divertida também recebeu algumas mudanças. Nomi (interpretada pela atriz Jamie Clayton) teve sua história, e os preconceitos que a cercam, muito mais explorados, fato que resultou em ótimos momentos. Além disso, sua relação com sua noiva e seu amigo foram bem importantes para relaxar o espectador em alguns momentos, afinal Nomi se envolveu profundamente em outras cenas enérgicas. Mas é claro que os “respiros” da série não se devem só a ela, mas também ao Lito (interpretado pelo ator Miguel Ángel Silvestre) que foi o símbolo da luta contra o preconceito e ícone da auto aceitação. Batendo de frente com grandes tabus hollywoodianos, Sense8 não teve medo de usar Lito para dizer umas verdades que precisavam ser ditas sobre a indústria áudio visual.

Coadjuvante 

Em sua nova temporada, a série também entendeu como amplificar o uso dos personagens coadjuvantes para incrementar sua narrativa. Se tornando peças chaves para o desenvolvimento da história, eles se juntaram de forma estável a trama principal acrescentando a mesma muito mais conteúdo e versatilidade.

Além do mais, o equilíbrio entre os protagonistas e os coadjuvantes permitiu que o enredo fosse manuseado com mais confiança, pois os roteiristas conseguiram aliviar os personagens principais do peso de contar toda a história sozinhos. Enfim, vamos falar de um policial que deu o que falar: Detetive Mun (interpretado pelo ator Sukku Son). Gostei do fato da série ter trazido esse personagem de volta e de ter usado ele para dar o equilíbrio drástico a Sun, sem mencionar que, futuramente, eles podem usá-lo para diversas coisas.

Não vejo necessidade para falar do marido da Kala, do melhor amigo do Wolfgang e nem do melhor amigo do Capheus, pois eles não mudaram muito e mantiveram seus mesmos rumos em semelhança com a temporada anterior. Em compensação a Amanita (interpretada pela atriz Freema Agyeman) e o Bug (interpretado pelo ator Michael Sommers), eles não tiveram nada que lhes mantivessem no mesmo lugar.

Colocar os dois personagens mais insanos da série frente a frente com um dos maiores segredos da humanidade foi a melhor coisa que poderia ter acontecido! Além de ambos aceitaram isso e depositarem toda sua fé na Nomi, ver essa dupla ajudando a hacker em suas dificuldades para deixa-la feliz, é maravilhoso.

Outro casal que destruiu sempre que aparecia, foi o Hernando (interpretado pelo Alfonso Herrera) e a Daniela (interpretada pela Eréndira Ibarra). Eles, de fato, não obtiveram grandes alterações em relação com a primeira temporada da série, entretanto se mantiveram eficazes em trazer um alívio cômico gostoso e aconchegante. Alias, foi bacana como a série usou eles para glamorizar alguns temas abordados os quais, por mais que foram ditos como metáforas, serviram para alertar as pessoas de problemas reais.

Para finalizar, há outros coadjuvantes (como o Diego, o velho homem de Hoy, Min-Jung, dentre outros) que também tiveram grande importância, mas não falarei de todos, pois se você assistiu a série entenderá quão útil eles foram. Desejo focar agora em duas peças fundamentais no grande quebra-cabeça de Sense8: Angélica (interpretada pela atriz Daryl Hannah) e o Jonas (interpretado pelo ator Naveen Andrews).

A coisa que eu mais gostei no caso deles terem ganhado mais relevância a aparecimento em tela, foi que a série não os sitou em um patamar de “sabedoria absoluta” e sim nos mostrou como os motivos que podem levar um sensate a trair sua própria espécie.

Os 10 momentos mais emocionantes da 2ª temporada de Sense8!

Além de inundarem cada episódio com uma emoção pura e sincera, eles souberam retratar da forma correta tudo o que os personagens eram, tanto suas qualidades quanto seus defeitos. Ao longo de toda a série, o espectador consegue se sentir confortável em abraçar a “ideia” daqueles protagonistas e suas histórias.

Músicas

A musicalidade no primeiro episódio da série foi muito forte e eu realmente estava ansioso para ver como isso seria tratado no resto da temporada. Surpreendentemente, eu notei uma recessão ao longo da temporada em impactar cenas usando a trilha sonora. NÃO, eu não estou dizendo que a série não usou mais músicas ou que sua soundtrack foi fraca! Tanto que, ao analisar tudo o que aconteceu, é perceptível que Sense8 optou por emocionar o público por seus diálogos, os quais não precisaram de auxilio nenhum para se tornaram impressionantes.

Fan Service

Lançada em 2015, a primeira temporada de Sense8 fez muito sucesso e chocou seus espectadores com grandes momentos. Dito isso, na segunda temporada, Lana precisava se desacorrentar desses momentos sem decepcionar os fãs da série, os quais gritavam pelo replay de todos aqueles instantes.

Sabendo o que era melhor para a série, a diretora optou por não recriar de forma literal essas situações, realçando criar – nesse novo ano – seus próprios momentos. O resultado disso foi inúmeros fan services ao longo da season, dos quais eu destaco a orgia (no primeiro episódio) e a versão remixada de What’s Up.

O melhor disso tudo é que estes fan services não me desapontaram e nem estragaram a segunda temporada, pois eles foram feitos na hora certa sem interromper a trama. Alguns deles foram tão sutis que poucos notaram, como é o caso do grafite de elefante no muro ao lado do campo de futebol, no qual o Wolfgang está jogando.

Fotografia

De uma produção das criadores de Matrix, é impossível esperar uma fotografia ruim, pois ela tem que ser no mínimo ótima. Enquanto eu assistia Sense8, percebi quão prazeroso é conhecer essa história envolto a um trabalho visual tão profissional. Diferente de outras produções, que investem em efeitos visuais para se embelecer, esta série busca sua beldade em pequenos e preciosos detalhes, os quais, devido a suas simplicidades, encantam a cada minuto.

Isso sem mencionar que, principalmente nessa temporada, Sense8 esbanjou aquarela na tela. Cada cena tinha um conjunto de cores específicos para aquele momento e transmitiam de forma realista sensações que só podem ser sentidas através da imagem.

Além de tudo isso, foi bacana ver como eles usaram a fotografia da série para explicar o efeito de conexão entre os sensitivos. Diferente da temporada anterior, na qual você tinha uma visão mais central, nesse novo ano a série ousou ainda mais em como transparecer a ligação entre os protagonistas sem ser tão verídica. Eu adorei a forma em que a série usufruiu da ficção para explicar a presença espiritual de um sensate em determinado lugar, e me desapontei bastante em ver como os fãs de Sense8 não entenderam isso e criticaram a filmagem da mesma.

Último episódio

Eu realmente não consigo entender como que os roteiristas erraram tanto a mão no último episódio de Sense8. Todo mundo comete erros e isso é normal, porém na primeira temporada da série já tivemos um desfecho bem pobre e agora, em seu novo ano, a mesma se finalizou de forma preguiçosa a egoísta.

Eu gostei sim do fato de que o último episódio deixou fortes ganchos para uma possível terceira temporada, mas eles simplesmente enrolaram e apressaram tudo. Vamos começar pela Sun, a qual desde a primeira season está buscando vingança pelo que seu irmão fez e, invés de conseguir isso ou receber uma justificativa aceitável por não atingir tal meta, recebeu um desfecho horrível que foi ocultado em uma sequência de perseguição irada, mas que não desenvolve a trama e a deixa congelada em um limbo de informações e escapatórias bobas.

Como se não bastasse isso, tivemos aquela sequência de sequestro apuradíssima e sem muito nexo. Sim, a intenção dela foi boa pois eu adorei o fato da OPB ter novamente sequestrado um sensate e ter o usado para descobrir a identidade de outros, porém a série simplesmente editou um conjunto de cenas rápidas e um poucos vazias, que não dizem nada para, “simplesmente”, finalizar uma temporada inundada de conteúdo.

Quatro estrelas

Sense8 fecha mais uma temporada arrasando e quebrando os inúmeros tabus existentes na nossa sociedade. Além da série se próprio inovar na forma em que os episódios foram construídos, ela focou em transmitir de forma concreta e real tudo pelo que os personagens passam, aproximando cada vez mais a audiência com a trama. Além de tudo isso, Lana Wachowski prova mais uma vez que sabe filmar algo com beleza, muita qualidade e que, por mais que a série vacila em seu final e em alguns pontos no decorrer da temporada, a diretora esclarece todo o potencial de Sense8.

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