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Opinião | OMS deve classificar “vício em vídeo game” como transtorno mental?

Após notícia divulgada pelo New Scientist, comunidade gamer e jornais nacionais entram em conflito

Visando sempre desmerecer a comunidade gamer no Brasil, os veículos jornalísticos nacionais noticiaram a decisão da Organização Mundial da Saúde, reportada primeiramente pelo New Scientistcomo algo já estabelecido e generalizado, causando, obviamente, irritação entre os jogadores brasileiros.

Para aqueles que não sabem, o jornal científico New Scientist reportou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificará “vício em vídeo game” como doença mental para a próxima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID), que acontecerá em 2018. Nada está estabelecido e tal decisão ainda será avaliada por médicos, mas é bem provável que a comunidade médica global concorde com tal classificação, por mais que suas opiniões divergem.

A OMS deve classificar tal vício como transtorno mental?

Muitos não sabem, mas além de um blogueiro que fica fazendo críticas de filmes, eu sou especializado em Neuroeducação e com base no que eu aprendi, acho que sim, tal vício deve receber essa classificação.

Caso essa classificação ocorra, não significa que quem gosta de jogar muito vídeo game ou quem trabalha com isso será diagnosticado como doente. Também não significa que o ato de jogar vídeo game se tornará sinônimo de doença. Mas significa que aquelas pessoas que estão tendo problemas, tanto físicos quanto psíquicos, poderão receber uma ajuda especializada.

O reconhecimento de “vícios” como algo doentio já foi feito há anos e nada mais justo que classificar esse também. Os jogadores alvos do diagnóstico seriam aqueles que, conforme noticiado pelo New Scientist, “colocam o jogo sobre outros interesses da vida” e – considerando todas as possíveis doenças que o sedentarismo ou o isolamento social podem causar – acho válido essa preocupação por parte da OMS.

Entretanto, penso que junto com esta decisão deve surgir um compromisso por parte da mídia global, em especial a brasileira, em não rotular a comunidade gamer como doentia e sim tratar os casos de vícios como devem ser tratados: situações isoladas. Afinal, tal irresponsabilidade midiática poderia etiquetar milhões de pessoas saudáveis como doentes, principalmente crianças e adolescentes cujos pais não tem informação necessária para distinguir se o simples hobby de seu/sua filho(a) é de fato um vício e mereça ser tratado como transtorno mental.

Para que não haja uma desordem social, espero que a nota da CID caracterize bem o transtorno de forma que não se crie múltiplas interpretações sobre o caso. Além disso, a OMS deve criar campanhas bem elaboradas, preferencialmente consultadas por representantes da comunidade de games, para divulgar essa nova atualização no CID de forma que ela não crie falsas interpretações sobre o transtorno.

É válido lembrar que em países como a Coreia do Sul, principal exportador de equipes profissionais de esports, o vício em vídeo games já é considerado um transtorno mental. O combate aos problemas causados pelo excesso de vídeo game pode ajudar a derrubar estereótipos vistos pela sociedade sobre os gamers e fixar uma visão correta e verídica sobre tal comunidade.

 

 

 

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