Crítica Filmes

O Rei do Show (The Greatest Showman) – Crítica

"As coisas que lhe fazem diferente, são as coisas que devem ser celebradas" - Michael Gracey

Nota da Crítica

★★★★

O Rei do Show é um abuso da magia na sétima arte e uma contemplação a humanidade. Com sua história ocorrida no passado, o filme aponta friamente os problemas atemporais nas relações sociais, ressaltando quão ruins eles são. Além disso, o longa traz uma visão perfeita e utópica que casa perfeitamente com a frase “felizes para sempre”.

O filme conta a história do primeiro show businessman que é interpretado pelo ator Hugh Jackman (da franquia X-Men) e retrata como que ele deixou para trás o status de mendigo e se tornou um empresário. Entretanto, apesar desta sinopse, eu não classificaria o filme como uma cinebiografia, pois para mim as relações no mesmo acabam recebendo muito mais foco do que somente a vida de P. T. Barnum.

A relação entre o protagonista e a Charity (Michelle Williams) esbarra em vários clichês dramatúrgicos, mas, envolta a toda a fantasia e musicalidade que o filme proporciona, essa simplicidade no roteiro acaba se tornando deleitável e aconchegante. Além do casal, a química entre eles e suas duas filhas funciona muito bem e rende agradáveis momentos e risadas.

Além de sua esposa e suas filhas, a relação de P. T. com a outra mulher que entra de forma intima na sua vida, a cantora de ópera Lind (Rebecca Ferguson), também é interessante, porém, o filme se esforça muito para construir essa ligação a qual acaba sendo desprezada no final do mesmo, não tendo tanto impacto quanto esperado.

Outro vínculo que me surpreendeu pela forma em que foi criada e pelo modo que prosseguiu durante o filme foi a parceria entre P. T. e o jovem Phillip Carlyle. Já tendo mostrado sua capacidade como dançarino na franquia High School Musical, o ator Zac Afron consegue convencer como Phillip e surpreende quando deve transpassar uma carga dramática mais elevada.

Além de burguês, Zac Efron mostrou muito bem o lado romântico de seu personagem em toda o seu “romance proibido” com a Anne (Zendaya), o qual, por mais que também esbarrou na breguice, acaba se tornando “fofo” no decorrer do filme. Um elogio devo fazer a excelente performance de ambos os atores ao interpretarem a música Rewrite The Stars, que, sem dúvida alguma, diz muito mais sobre o contexto de amor na época do que parece.

Mas é claro que o filme não se resume a apenas casais e seus contos de fada,  o que me surpreendeu em O Rei do Show foi a audácia e o modo em que ele retratou todo o preconceito e a discussão sobre “aceitar o diferente”. Farei ainda um artigo apenas sobre esse tópico, mas adianto que usar a temática do século XIX para ridicularizar o preconceito e ainda embalar essa luta com a música This Is Me (“Este sou eu”), foi uma ideia brilhante que rendeu muitas lágrimas pela beleza e força da cena em questão.

Por fim, uma nota sobre a trilha sonora desse filme a qual é muito mais do que apenas melodias. Composta por Benj Pasek e Justin Paul, ambos letrista de La La Land: Cantando Estações, as músicas do longa se tornaram personagens essenciais para a história e são muito mais do que apenas complementos a trama; elas ditam a trama. Uma forma de ver isso é coloca-las em uma linha do tempo, onde cada canção é um marco na vida do protagonista.

Começa com A Million Dreams que costura a infância do protagonista com a vida adulta; depois parte para Come Alive, que marca o começo da carreira do empresário como showman; depois temos The Other Side que pontua um novo caminho para o circo e consequentemente para a vida do protagonista;Never Enough que apresenta a grande admiração de P. T. por Lind; logo em seguida This Is Me embala os momentos de tensão entre o visionário e seus empregados; From Now On marca o arrependimento do showman em relação a suas ações e The Greatest Show encerra tudo supondo um futuro otimista para o circo e para P. T.

Extraordinário – Crítica

O Rei do Show equilibra música, arte e entretenimento em duas horas de magia e encanto. Em um país que censura museus e outras expressões artísticas em prol a obediência a padrões reacionários, ter um filme como este em cartaz é, no mínimo, esperançoso.

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